Fundamentos da homeopatia e a lei de semelhança
A homeopatia é uma ciência vitalista que trata do ser humano integral e, portanto, considera sintomas e manifestações em todas as áreas da medicina, em todas as áreas corporais e em todas as áreas mentais. É uma ciência que trata o todo. Vou falar brevemente a respeito da homeopatia.
A homeopatia é uma ciência vitalista que surgiu no final do século XVIII, na Alemanha, pelo trabalho de um médico alemão chamado Samuel Hahnemann. Hahnemann era químico, farmacêutico, médico, profundamente conectado às questões do seu tempo e profundamente incomodado com as questões médicas, pois a medicina da sua época mais feria do que tratava. Ele ficava muito insatisfeito com o fato de que as sangrias e os diversos métodos que se utilizavam promovessem mais debilidade e mais enfermidade do que cura. Como era muito culto, teve acesso a um universo de conhecimentos muito amplos. Hahnemann era poliglota, falava inúmeras línguas e trabalhava também fazendo traduções no começo da sua vida. E, um dia, fazendo a tradução de uma matéria médica sobre a quinina, ele percebeu que a quinina produzia os mesmos sintomas que tratava. Ela era utilizada no tratamento da malária, mas produzia os mesmos sintomas da malária. Então, resolveu experimentar em si mesmo. E, quando experimentou, produziu os mesmos sintomas que a quinina tratava. Ele disse: que coisa interessante, esse medicamento que trata é capaz de produzir os mesmos sintomas. Isso não era uma completa novidade para a sua época, porque Hipócrates de Cós, filósofo e médico grego da Antiguidade, já dizia esse princípio da semelhança. E Hahnemann apenas resgatou isso e introduziu a experimentação.
O que Hahnemann fez foi perceber que as substâncias, quando eram experimentadas em doses ponderais, em doses grandes ou substâncias puras, produziam muita intoxicação, muitos sintomas, mas, quando eram diluídas, ficavam tão sutis que produziam sintomas sem produzir os efeitos da intoxicação. Então, ele criou um método de dinamização: pegar substâncias, sejam minerais, animais ou vegetais, triturar, diluir e ir diluindo progressivamente até chegar à mínima quantidade daquela substância, ou à máxima diluição. E os indivíduos experimentavam. Que indivíduos? Indivíduos sadios, que experimentavam e anotavam os sintomas que aquela medicação era capaz de causar.
Então, o que se descobriu é que inúmeras substâncias — na verdade, a totalidade das substâncias — são capazes de produzir sintomas em indivíduos sadios quando diluídas. E Hahnemann mostrou que, se essas medicações forem utilizadas em indivíduos que apresentam aqueles mesmos sintomas que a substância é capaz de causar, elas podem promover um processo de reequilíbrio no organismo. Então, por que a China officinalis, a quinina, era capaz de tratar a malária? Porque produzia os mesmos sintomas da malária. Quando o indivíduo sadio a tomava, tinha aquelas febres e tremores, semelhantes aos estados debilitantes da malária. E ela, quando diluída homeopaticamente e aplicada no indivíduo enfermo, por ação semelhante, provoca a reação da energia vital do organismo no sentido do reequilíbrio. Então, esse é o princípio da semelhança. Para que uma substância seja curativa, ela precisa produzir os mesmos sintomas. Ela precisa ser dada a um enfermo que tenha, na sua totalidade sintomática, a mesma imagem daquele remédio, a mesma imagem dos sintomas que o remédio é capaz de causar. E essa é a arte médica: saber fazer a análise dos sintomas de um indivíduo do ponto de vista físico, comportamental, mental, do caráter, e conhecer a matéria médica suficientemente para poder medicar o indivíduo através da lei de semelhança, para que a cura se dê da maneira mais suave, mais leve possível.
Hahnemann percebeu que as substâncias diluídas eram capazes de produzir sintomas em indivíduos sadios. Fez a experimentação de várias substâncias e inaugurou aí a homeopatia enquanto ciência vitalista, capaz de produzir reequilíbrio.
Miasmas e terrenos de predisposição ao adoecimento
Mais tarde, depois de anos de observação, notando que as pessoas, mesmo tratadas convenientemente pelo remédio homeopático semelhante, voltavam a adoecer, Hahnemann formulou a teoria dos miasmas. Ele vai dizer que o ser humano adoece devido a um terreno de predisposição que existe no organismo do homem. Naquela época, Hahnemann vai interpretar isso como efeito das doenças mal curadas do seu tempo, venéreas e não venéreas. Então, ele vai falar da doença residual que existe, ou do miasma que permanece no homem, devido à sarna não curada, à sífilis não curada e à gonorreia não curada. Ele vai interpretar como sendo daquelas doenças.
Hoje nós sabemos que não são exatamente dessas doenças, porque Hahnemann tinha acesso a um conhecimento muito limitado. Mas o que ele descreveu é algo muito sério. Ele descreveu miasmas, ou terrenos predisponentes ao adoecimento no ser humano. O que ele vai dizer a respeito desses terrenos é: sem eles, o ser humano não adoece. Ou seja, sem uma tendência, uma predisposição para adoecer, o ser humano não adoece. Então, não basta que haja um agente que provoque esse organismo; é preciso encontrar dentro do ser humano um terreno. E aí a situação vai começando a ficar muito interessante, sobretudo para a gente com pensamento médico-espírita e com conhecimento espiritualista hoje em dia.
Hahnemann vai descrever três miasmas principais: a psora, a sífilis e a sicose. A psora é o miasma central, o miasma que diz respeito ao grande terreno, à predisposição ao adoecimento do homem. Depois, ele descreve a sífilis e a sicose. Na psora, nós temos estados de ansiedade, de debilidade; temos sintomas na pele, como pele seca, pele irritada, pele descamada, descamação muito comum. Já na sífilis e na sicose há naturezas de reação. Na sífilis, nós temos um universo autodestrutivo. Na sicose, nós temos um universo de hipertrofias.
Nesse miasma sicótico, nós temos respostas orgânicas de crescimento, de secreção, de hipersecreção, de tumorações. Já na sífilis, nós temos sintomas de autodestruição tecidual, de perda, de esgotamento, de falta. Olha que interessante: um miasma central, que é um grande terreno ao adoecimento de debilidade geral; um sintoma de hipertrofia; outro sintoma de destruição.
Em todos os três, nós vamos ter manifestações na pele. Na psora, manifestações de descamação, manifestações de coceira, muito prurido, e manifestações mais secas. Na sicose, verrugas, tumorações, crescimentos. Na sífilis, lesões destrutivas, degenerativas, teciduais.
Então, a pele, como em todos os órgãos — e estou exemplificando na pele porque é o nosso tema hoje, mas poderíamos exemplificar manifestações desses três miasmas em todos os setores orgânicos do homem, do mental a todos os sistemas —, manifesta sintomas de acordo com esse terreno de predisposição.
A pele como expressão do indivíduo integral
Ao analisar o indivíduo que adoece e a sua manifestação de doença, o médico homeopata busca caracterizar primeiro a totalidade sintomática. É o conjunto geral de sintomas daquele indivíduo que sejam raros, peculiares e característicos. Não basta que sejam gerais, porque os sintomas gerais todo mundo tem. Um sintoma que caracteriza a peculiaridade de uma pessoa é aquele que é raro, peculiar, característico, que está modalizado. Ou seja, não é simplesmente uma dor de cabeça; é uma dor de cabeça lateral, pulsátil, que acontece pela manhã, ao levantar, que alivia pelo calor, que piora pelo esforço. São características de sintomas modalizados. Na pele, não basta que seja uma lesão de pele, mas uma lesão de pele avermelhada, que coça no frio, que piora em tempos úmidos e que agrava entre 2 e 5 horas da manhã. São características com detalhamentos que a gente chama de modalizações, que vão fazer a imagem geral daquele paciente.
O médico homeopata, ao analisar o indivíduo, vai selecionar do conjunto da anamnese os sintomas peculiares, raros, característicos daquele indivíduo, quatro ou cinco, e, a partir disso, repertorizar a medicação que é mais semelhante para aquele indivíduo. Ao analisar, portanto, uma doença de pele de um indivíduo, nós não estamos tratando a pele; nós estamos tratando aquele organismo em geral. Nós queremos saber quem é aquele indivíduo que adoece, como ele expressa o seu adoecimento na pele, como aquele adoecimento na pele se liga ou se conecta a outras manifestações de adoecimento para formar a imagem da doença daquela pessoa. Quais são as modalizações, os detalhamentos daquela forma de adoecer daquele indivíduo, e em que fase ela está, ou se expressa, de acordo com a compreensão de adoecimento que a homeopatia traz.
Muitas vezes, a pele é a mais exuberante de sintomas ou a que mais facilmente traduz para um médico, sobretudo em crianças com dermatite atópica, ou em adultos com psoríase, ou em pessoas com tumorações, com verrugas, com manifestações mais claras. Às vezes, esse sintoma da pele permite uma caracterização do sintoma característico, peculiar e raro com mais facilidade. Por quê? Porque as pessoas prestam atenção na pele. É mais fácil do que dizer assim: “Eu tenho uma ansiedade antecipatória quando tenho algum evento e que piora no final da tarde, entre 5 e 7 horas da noite.” As pessoas têm menos atenção aos sintomas afetivos, mentais e, às vezes, até orgânicos, do que aos sintomas da pele.
A partir de uma caracterização adequada de um sintoma da pele, nós podemos encontrar mais facilmente essa modalização e percebê-la. Mas o que o médico vai tratar é o indivíduo enfermo, de acordo com o terreno de adoecimento dele, de acordo com o miasma psórico, miasma sifilítico, miasma sicótico que aquele paciente manifeste, porque aquilo mostra a sua forma de adoecer.
A pele é esse espaço, essa tela de manifestação da alma. Na pele, a gente encontra sintomas que estão conectados ao nosso modo de ser, de relacionar, de sentir, de viver o afeto. Ela expressa aquilo que se passa dentro de nós. Porque, muitas vezes, é na pele que vai se manifestar um sintoma que vem para nós após um transtorno por perda, ou um transtorno por amor não correspondido, ou um transtorno por um sentimento de desvalor, que é o núcleo central, mas que está se manifestando ali na pele através de um sintoma descamativo, ou de uma lesão de pele, ou de uma tumoração.
Essa modalidade de sintomas mais profundos caracteriza a pessoa de uma maneira mais fiel, porque o nível mental, o seu comportamento e caráter mostram melhor para nós o modo de ser daquela pessoa e seu modo de se comportar no mundo. Então, a pele é o reflexo do nosso movimento da alma, o movimento que passa dentro de nós. A pele expressa, muito frequentemente, aquilo que em nós está suprimido. As emoções, os afetos, os sentimentos, as vivências que são reprimidas muito frequentemente se manifestam na pele. Ou seja, aquilo que não pode ser dito, aquilo que não pode ser verbalizado, manifesta-se no corpo na forma de sintomas. Por exemplo, um luto não digerido ou não metabolizado, uma dor de perda afetiva ou emocional, ou de dependência afetiva, uma frustração, ou uma dificuldade de expressão dos afetos que existem dentro daquele indivíduo, de falar dos seus sentimentos, vão muito frequentemente se manifestar na pele como uma expressão daquele movimento mais profundo.
Aquele que é capaz de ver, de ler esses sintomas, vai também perceber aquilo que está dentro e no mais profundo de nós mesmos. Os sintomas na pele, a gente diz também em leitura corporal, têm uma função ativadora da percepção de si mesmo. Eu brinco sempre com os meus pacientes: você lembra que tem cotovelo? Não. Deixa ter uma lesão no cotovelo para você ver. Vai ficar o dia inteiro lembrando que tem cotovelo. Na perna, na barriga, na face. E os lugares onde o sintoma se manifesta não são por acaso. Eles têm um simbolismo para nós dentro da lógica do nosso corpo.
Quando um sintoma se manifesta, quando o corpo coça, quando arde, quando pinica, eu me lembro permanentemente dele, eu lido permanentemente com ele. Então, simbolicamente, a gente costuma dizer que os sintomas de pele tendem a ativar a autopercepção, tendem a ativar a consciência de si, frequentemente quando há uma personalidade voltada para o exterior, uma tendência, por exemplo, a ser servidor, a colocar o outro sempre em prioridade, a ter dificuldade de confrontar, de dizer o que pensa, o que sente, de expressar as emoções, uma tendência grande a suprimir os pensamentos, os sentimentos, os afetos.
E isso naturalmente se manifesta na forma de sintoma, seja o sintoma de pele, como, por exemplo, um sintoma descamativo, pruriginoso ou lesivo, ou no curso, por exemplo, de uma doença autoimune, em que você tem ali uma agressão do corpo contra si mesmo e, na pele, um sintoma, como por exemplo um vitiligo ou outra doença autoimune. A gente vê muito frequentemente, por detrás desses sintomas, na origem deles, fortes transtornos pós-perdas, pós-lutos, pós-decepções muito profundas que não foram integradas, que não puderam ser expressadas, que não foram metabolizadas.
Então, a pele é aquela tela que vai manifestar a linguagem da alma e convidar o indivíduo a reconhecer-se. O médico homeopata, com conhecimento da linguagem dos sintomas como expressão do desequilíbrio da energia vital do organismo e da linguagem simbólica da alma no corpo, pode formar uma imagem daquele adoecimento que facilita a escolha do medicamento homeopático mais adequado, que ajuda o organismo a reequilibrar.
O caminho de cura na homeopatia
Esse organismo vai se reequilibrar porque a energia vital está no organismo sem força de reação. A imagem que eu tenho para isso é como se ela fosse uma mola contraída, que não tem força suficiente para voltar. É como se tivesse uma mola presa. Ela tem força, mas está ali obstaculizada. Aí vem um estímulo artificial, que a gente chama de ação primária do medicamento, na direção daquela doença, porque o remédio é capaz de causar os mesmos sintomas que vai tratar. Então, ele vai na mesma direção daquele adoecimento do indivíduo e dá um estímulo naqueles sintomas. É como se aquela mola, com aquele estímulo, se soltasse e voltasse com toda a força, o que a gente chama de ação secundária. A ação secundária, então, é a resposta do organismo a esse estímulo na energia vital, fazendo um movimento de reequilíbrio.
Esse não é um movimento simples, porque não se trata de supressão de sintomas. Não se trata de simplesmente retirar o sintoma do indivíduo. Trata-se de reequilibrar aquele organismo. Então, nesse movimento de volta, ou no caminho de cura, para facilitar, nós temos etapas. Uma delas, por exemplo, é que pode haver uma ligeira agravação inicial, porque a medicação dá um estímulo na mesma direção do adoecimento. Então, ela pode intensificar temporariamente aqueles sintomas.
“Ah, eu tomei esse remédio, doutor, e por algumas horas minha dor de estômago aumentou um pouco.” Ou: “Minha dor de cabeça atacou, minha cefaleia piorou”, ou “Eu tive meu estado de humor mais rebaixado”. Mas aquilo logo passou e seguiu-se, depois, um estado de bem-estar, de ânimo. Aos poucos, a força foi voltando em mim e eu me senti melhor. É uma ligeira agravação seguida de alívio, com melhora dos sintomas.
No começo, você pode ter uma leve agravação quando o remédio é adequadamente escolhido por lei de semelhança. E aqui eu estou falando dos princípios hahnemannianos, porque há outras formas de agir e de usar a homeopatia que não seguem exatamente os princípios clássicos, como, por exemplo, quando se usa mais de uma medicação ao mesmo tempo, quando a pessoa está em uso de outros medicamentos concomitantes e por aí vai. Isso não significa ser errado ou ser ruim, é apenas diferente dos princípios clássicos.
No princípio clássico, um medicamento por semelhança vai reequilibrar o organismo, reativando a força de reação da energia vital. Primeiro, pode ter agravação. Ao longo do curso de cura, pode haver exoneração, geralmente através de descargas, ou diarreia, ou secreção nasal, ou aumento da quantidade de urina, formas de colocar para fora através de secreções. E depois pode trazer para a pele.
Isso é interessante, porque a pele, dentro da visão da homeopatia, é o ponto mais superficial no caminho do adoecimento. Muitas vezes, é o primeiro adoecimento mais superficial, quando a pessoa, por exemplo, só tem uma lesão de pele, sem outros sintomas em outras áreas. Isso significa que aquele adoecimento é superficial, é mais fácil de ser resolvido. E a pele é o último ponto de melhora, é onde aqueles desequilíbrios internos vão depois ser exonerados.
No curso do caminho de cura, muitas vezes vem para a pele. “Ah, eu melhorei, doutor, eu até tive uma diarreia rápida ou uma descarga rápida, mas depois que eu melhorei apareceu aqui uma coceira, ou apareceu uma lesão no meu braço.” Maravilha. O homeopata sorri de um lado a outro. Mas, se a pessoa não estiver com a cabeça da homeopatia, ela vai pensar só na supressão de sintomas, vai querer logo passar uma pomadinha de corticoide ou ter alguma medicação. E o que ela vai fazer é jogar para dentro aquele desequilíbrio que superficializou ali.
No caminho de cura dessa resposta da energia vital, nós temos etapas que convém compreender: a agravação, a exoneração, a melhora do estado geral, que é a melhora das sensações da pessoa, e a superficialização na pele. Em geral, nós dizemos, dentro das leis de cura, que um médico homeopata chamado Hering, pós-Hahnemann, estabeleceu que os sintomas curam de dentro para fora, de cima para baixo e do órgão mais nobre para o órgão menos nobre. E os sintomas desaparecem na ordem inversa do aparecimento.
Então, vamos devagar com isso. Primeiro, do órgão mais nobre para o órgão menos nobre. O organismo tende a preservar primeiro os órgãos mais nobres e reequilibra primeiro os órgãos mais nobres. Qual é o caminho do adoecimento, do superficial para o profundo? Pele, mucosa, respiratório, trato gastrointestinal, órgãos vitais, mental. Qual é o caminho de alívio? Mental, órgãos vitais, trato gastrointestinal, respiratório, mucosa, pele.
“Ah, doutor, minha asma melhorou, mas apareceu uma afta na boca.” Maravilhoso. Saiu do respiratório e veio para onde? Para a mucosa. Pode esperar que dali a pouco apareça uma coceirinha na pele, dentro do caminho de cura, se a medicação foi homeopaticamente escolhida por lei de semelhança. Então, o sintoma vai sumindo do órgão mais nobre para o órgão menos nobre. Por isso, a pele é a primeira a aparecer e a última a curar, do ponto de vista do processo exonerativo, a não ser que não existam sintomas nos órgãos internos, no respiratório, gastrointestinal, vital ou no mental. Se só tem, por exemplo, na pele, então aquele é o ponto mais rápido de cura.
Isso seguindo os princípios hahnemannianos, porque a gente pode fazer paliação também com remédio homeopático. Pode. Se o remédio não for homeopaticamente escolhido para aquele indivíduo, dentro da totalidade sintomática, se for um remédio genérico, então ele pode causar só uma paliação. Pode melhorar os sintomas, mas não houve reequilíbrio da energia vital. Depois, os sintomas vão aparecer em outra manifestação, o que a gente chama de metástase mórbida. Significa que só mudou de lugar e, às vezes, muda de lugar aprofundando.
“Ah, doutor, eu usei aquele remédio e meus sintomas de pele sumiram, graças a Deus, mas minha asma atacou.” O homeopata arregala os olhos. Porque, no fundo, o que aconteceu? Aquela pessoa piorou, agravou o processo de cura. Porque o processo de cura não é de paliação e não é de supressão. Ele é de reequilíbrio da energia vital, que é reequilíbrio do indivíduo inteiro. Não é apenas a supressão de um sintoma.
Acontece que nós vivemos numa sociedade que só tem a lógica da supressão dos sintomas. É a lógica do anti. Se eu tenho dor, eu tomo o analgésico, que tira a dor. Se eu tenho depressão, eu tomo antidepressivo. Se eu tenho uma inflamação, eu tomo anti-inflamatório. As pessoas todas vêm para a consulta homeopática querendo o quê? O antissintoma. É preciso entender que o processo de reequilíbrio do organismo é outro. Dentro das leis homeopáticas, ele segue outro processo.
Pode acontecer que a pessoa não esteja livre para poder manifestar as leis de cura. Pode. Ela pode estar em uso de remédios alopáticos crônicos e ter o organismo já modificado por aquele uso. Por exemplo, crianças que usam corticoide há muito tempo, adultos que usam antidepressivo há muito tempo. Isso significa que vai modificar a ação da homeopatia. Vai. Ela vai agir de formas diferentes no processo de reequilíbrio. Funciona? Funciona. Mas os caminhos e o entendimento são outros. Aqui eu estou falando do movimento clássico do processo de cura.
Então, dos órgãos vitais para o órgão menos vital, de dentro para fora, ou seja, do mais profundo para o mais superficial, de cima para baixo, os sintomas começam a sumir primeiro nos órgãos superiores, depois nos órgãos inferiores, e na ordem inversa do aparecimento. O sintoma que desaparece primeiro, seguindo esses mesmos princípios, geralmente é o último que apareceu. E, às vezes, nesse movimento reaparecem rapidamente alguns sintomas antigos que a pessoa tinha.
A ideia é esta: se a energia vital foi se desequilibrando nesse sentido, e o movimento do reequilíbrio está voltando nesse sentido, vão desaparecer primeiro os últimos sintomas e, na medida em que vai voltando, vão momentaneamente reaparecendo sintomas antigos. “Ah, doutor, eu melhorei muito o meu estado mental. Minha sensação de bem-estar está ótima. Estou com mais vigor, com mais energia. Mas sabe que uma gastritezinha, uma dor de estômago antiga que eu tinha, voltou, e eu tive por dois dias uma dor de estômago? Eu costumava ter essa dor de estômago na adolescência, mas fazia muito tempo que eu não tinha.” A gente chama isso de retorno de sintoma antigo, que pode ser em qualquer órgão e em qualquer manifestação.
O processo do reequilíbrio vai seguir esses princípios. E, quando o homeopata vai ver o sintoma da pele, ele não vai olhar somente aquele sintoma e tratar apenas a reação histamínica, inflamatória, que está acontecendo ali, do ponto de vista alopático. Vai entender a expressão da pele com toda a compreensão da ciência médica como expressão da energia vital desorganizada do indivíduo, sem força suficiente de reação por si mesma, necessitando de um estímulo homeopático competente e adequado, por lei de semelhança, para poder fazer o reequilíbrio.
Assim, as doenças de pele são expressões da alma e são expressões do conjunto do adoecimento do indivíduo.
Homeopatia e visão médico-espírita do adoecimento
Dentro da doutrina espírita, nós sabemos que nós, enquanto seres espirituais e seres imortais que somos, trazemos gravada em nós a nossa memória do passado. Trazemos isso nos nossos órgãos energéticos, no perispírito, que traz a memória daquilo que nós vivemos no passado espiritual, tudo o que nós fizemos e que ficou nele impregnado, como trazemos também no nosso psiquismo os efeitos das atitudes que nós tivemos, como uma predisposição à saúde ou não. Então, os sintomas que nós vamos manifestar hoje podem ser reflexos naturais e diretos daquele acúmulo que está no corpo energético e no corpo espiritual.
Sempre é assim, Andrei? Não. Pode ser fruto do estilo de vida atual, das posturas atuais, das decisões, do modo de pensar, de ser, de agir do indivíduo, porque tudo isso desorganiza a energia vital. Mas, do ponto de vista, por exemplo, da memória energética, nós vamos ter órgãos de choque no organismo físico. O que é isso? Zonas de predisposição de acordo com os nossos erros do passado.
André Luiz vai descrever, no livro Evolução em Dois Mundos, que nós temos zonas de predisposição corporal. Isso significa que cada organismo traz, por sensibilidade do seu corpo espiritual, zonas de predisposição de acordo com suas áreas de equívoco predominantes do passado. Por isso, umas pessoas têm mais tendência a adoecer na cabeça, ou no pulmão, ou no rim, ou no fígado, ou na área genital, ou nos intestinos.
Assim, nós vamos entender também que na nossa pele se manifestam muitas exonerações desta carga energética que está no corpo espiritual, essa carga energética que vem do nosso perispírito, essa carga energética que está no nosso passado espiritual e que se manifesta. Vai fazer o descenso vibratório, vai descer do campo magnético mais profundo para o mais superficial, desequilibrando a energia vital e gerando sintomas.
De qualquer forma, o entendimento da homeopatia não muda, porque, através da manifestação dos sintomas, nós vamos entender a predisposição daquele indivíduo, daquele organismo. No entanto, o conhecimento médico-espírita nos ajuda a entender os miasmas que Hahnemann descreveu de forma muito linda.
Eu descrevi isso no meu livro Reconciliação: consigo mesmo, com a família e com Deus. Nesse livro, eu integro a filosofia homeopática com a filosofia do Evangelho e a filosofia da constelação familiar, nesse movimento de entendimento da autocura e das manifestações do nosso corpo, sobretudo em cima de uma interpretação da parábola do filho pródigo, que traz essa imagem do nosso adoecimento.
O que eu defendo nesse livro? Eu sigo a interpretação de um homeopata americano chamado James Tyler Kent, que postulou que a psora primária do homem não vem da sarna mal curada, como Hahnemann pensou. Hahnemann descreveu bem, mas tinha limitações para entender a origem daquela predisposição. Kent vai dizer: a predisposição ao adoecimento do homem, a psora, vem do seu estado de desordem em relação ao Criador. Ele vai dizer, numa interpretação católica, que vem da expulsão do homem do paraíso. O homem quis ser maior do que o Criador, foi expulso do paraíso, e a psora é a expressão da dor, da perda do paraíso.
É muito interessante essa interpretação dele, porque ela é consonante com a interpretação espírita, embora a interpretação espírita não seja a interpretação católica. Mas, para a doutrina espírita, a doença fundamental do homem, a nossa grande predisposição ao adoecimento, é a nossa rebeldia diante da lei divina, é a nossa inconformidade diante da lei divina, é a nossa manifestação de desejo de ser lei no lugar da lei. Então, a psora são os sentimentos da desconexão. Na psora, nós nos sentimos faltosos, desconectados, desamparados, sozinhos, largados, fruto da desconexão criatura-Criador. Porque só na conexão com o poder maior, com a fonte que é Deus em nós, é que nós temos verdadeiramente saúde, conforme Joseph Gleber diz no livro Homem Sadio, uma das publicações da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais.
A psora seria o nosso núcleo fundamental de rebeldia, que gera os estados de falta. Acontece que, diante da falta, nós manifestamos sintomas da falta e nos defendemos da falta. Nos sintomas da falta, nós manifestamos a falta de tudo, os estados autodestrutivos, a menos-valia, o não ser nada. Nós sabemos desconectados. É o miasma da sífilis, que tem autodestruição tecidual.
Na defesa, nós tentamos nos defender do sintoma da falta. A gente tenta crescer, hipertrofiar. É o orgulho, é a arrogância, é a predisposição ao controle, a tentativa de autoimposição, que produz no corpo físico tumoração, hipersecreções, estados hiper. Vejam como, na visão espírita, fica interessante essa compreensão dos terrenos de adoecimento do ser humano. O terreno principal, que é o da psora, a falta fundamental decorrente da nossa rebeldia; o estado sifilítico, os sintomas da falta, da desconexão; o estado sicótico, as defesas de hipertrofia na tentativa de não sentir a falta.
Nós ficamos ciclando, às vezes, entre um e outro e manifestando sintomas dos três miasmas, embora o da psora seja, como diz Hahnemann, o núcleo central sem o qual não há adoecimento. Qual é o núcleo central sem o qual não há adoecimento, dentro da visão médico-espírita? A desconexão criatura-Criador. Vejam como é bonita a compreensão homeopática ligada à compreensão imortalista espírita.
O remédio homeopático vai dar um estímulo de reequilíbrio na energia vital, de calma nesses estados miasmáticos, para promover o melhor e maior estado de saúde possível do indivíduo, que volta a adoecer porque essa psora, esse miasma, ao longo da vida se manifesta de acordo com outros estímulos, outras posturas internas, outros estilos de vida, que a gente vai manifestando e reequilibrando ao longo de cada etapa, de acordo com o que se manifesta em cada etapa.
Quando o homeopata vai analisar a pele do indivíduo, ele não está olhando simplesmente a pele. Ele está olhando o ser integral que está diante dele: uma pessoa com seu modo de vida, com seu comportamento, com suas escolhas, com seu caráter, com sua decisão, com sua postura diante da vida, com suas modalidades de adoecimento. Está vendo expressões da alma na pele. Está vendo, se tiver esta imagem reencarnacionista, imortalista, as expressões do espírito imortal ali, com a sua trajetória, com as suas escolhas. E, diante disso, a cura vai ser um movimento de reequilíbrio mais rápido, suave e permanente possível através do método homeopático, que não representa a supressão dos sintomas, mas o reequilíbrio integral do indivíduo.
Portanto, o objetivo não é curar simplesmente a pele; é reequilibrar o indivíduo. Meus pacientes sempre costumam perguntar: “Para que serve esse remédio, doutor?” Eu falo: para você. Porque a resposta mais honesta é: é o remédio escolhido pela totalidade sintomática compatível com o todo, capaz de produzir sintomas semelhantes e, portanto, de dar o estímulo de reequilíbrio adequado que você precisa nesse momento, na dose adequada, de acordo com o miasma que você manifesta, com a fase de vida em que você está.
Andrei, então, se eu trouxer o meu menino para tratar a dermatite atópica dele, que só tem dermatite atópica, isso manifesta coisas mais profundas? Sim, sem dúvida. O homeopata vai querer saber como esse menino se comporta, como é o temperamento dele, como ele reage, como são os seus gostos, as suas aversões, os seus afetos, como são seus comportamentos físicos, como é sua história de adoecimento. Porque tudo o que diz respeito ao indivíduo importa no processo de cura.
A pele é um campo de expressão da alma e um convite a um mergulho mais profundo.
Perguntas finais: prática clínica, resposta ao tratamento e autocura
Quando a gente apresenta manifestações ao mesmo tempo, de tumoração e hipertrofia, como verrugas na pele, ao mesmo tempo de sequidão, nós vamos fazer a totalidade sintomática. É a totalidade sintomática que define a medicação, não é o sintoma isolado. É através do conjunto de sintomas que você vai saber qual é o miasma predominante, porque a pessoa pode ser trimiasmática, como nós todos temos a tendência a ser. Ela pode ter manifestações da sífilis, manifestações da sicose, manifestações da psora, mas qual é o predominante que está ativo naquele momento? Então, o médico tem que conhecer essa realidade miasmática e, a partir disso, agir de acordo com aquilo que a pessoa precisar, levando em consideração a totalidade sintomática.
Com relação ao tempo de ação da homeopatia, é uma lenda dizer que a homeopatia é lenta. Homeopatia não é lenta, a homeopatia é rapidíssima. Ela começa a agir imediatamente no momento da sua aplicação, e muitas pessoas inclusive respondem de imediato. No entanto, o seu efeito é duradouro e é sequenciado em etapas. É isso que as pessoas não compreendem. As pessoas querem supressão, querem movimento completo numa dose só e no momento em que acontece. Não. O movimento vai acontecendo dentro daquelas etapas: pode haver agravação, exoneração, melhora do bem-estar. Muitas vezes, você limpa o terreno com uma série de sintomas e aparecem outros sintomas que são a continuidade do tratamento, ou os sintomas verdadeiros aparecem porque o que estava antes era uma intoxicação por medicação inadequada ou por estilo de vida. Então, é preciso entender esse processo.
Com relação a perceber se é sintoma do passado ou não, isso, na consulta homeopática, não é abordado, porque o médico homeopata tem que tratar o paciente de acordo com a crença do paciente, e não com a que ele tem. Ele pode ter até uma compreensão para si mesmo daquilo, do ponto de vista da imortalidade da alma. Mas, do ponto de vista ético, nós temos que tratar o paciente de acordo com as suas crenças e com a sua compreensão de vida. Se o paciente for espírita e trouxer para a consulta, como parte da sua expressão, sintomas ou interpretações dessa natureza, naturalmente isso pode ser conversado dentro do campo da ética médica, mas não é possível a um médico dizer e afirmar categoricamente: isso é do passado, ou isso não é. Nem tem utilidade, do ponto de vista da compreensão, saber isso, porque o importante é a caracterização da totalidade sintomática e do tratamento como ele se expressa agora. Não importa se ele é do passado, se ele é do presente: importa como ele se manifesta agora. É ali que nós vamos atuar. Mas a compreensão do próprio indivíduo como espírito imortal ajuda muito no entendimento dos seus adoecimentos e na autoeducação para compreender que os processos são gradativos. Cada um é um caso.
Para nós, homeopatas, o mais importante é a individualização do paciente. Individualização é a regra de ouro do tratamento homeopático. Individualização, lei de semelhança, medicamento único, dose mínima suficiente para ação, para o organismo responder da maneira de reequilíbrio mais adequada.
O local de preparo dos remédios interfere nos resultados. Interfere não só a qualidade do preparo, que tem que ser homeopático, adequadamente preparado do ponto de vista homeopático, quanto o espaço e a qualidade. Hahnemann, inclusive, preconizava que o médico devia preparar ele mesmo o remédio. Na época dele, ele mesmo preparava e dispensava o remédio. Hoje isso nem existe, nem pode, do ponto de vista da nossa legislação. Mas eu sempre indico as farmácias que são confiáveis da cidade, aquelas que atuam de maneira homeopática adequada, porque eu não confio que se possa levar em qualquer farmácia de manipulação e a qualidade da homeopatia vá ser boa. Precisa ter um farmacêutico homeopata adequadamente preparado e treinado para a produção do medicamento ali.
Energeticamente, a qualidade dos ambientes interfere no remédio. Interfere. Assim como onde você guarda o seu remédio interfere, interfere. Geralmente, a gente diz: deixe o remédio longe de radiações eletromagnéticas, o que hoje é impossível, porque tem onda para tudo quanto é lado o tempo todo. Mas não deixe muito do lado dos aparelhos. Não precisa colocar dentro da geladeira. Tem gente que gosta de embrulhar em papel-alumínio. Eu, particularmente, não acho que seja exatamente necessário, mas evite passar nos raios X com os remédios homeopáticos, se possível. Porque o remédio homeopático é energético. Acima da 12ª diluição, você não tem matéria nenhuma mais. Você tem só a memória energética daquele medicamento. E, quanto mais diluído, mais profundo ele é na sua capacidade de produzir sintomas. Então, a medicina homeopática é, em grande parte, uma medicina energética de estímulo dentro de um campo que é energético, que é o campo da energia vital do organismo.
A água fluidificada que a gente leva da reunião espírita tem uma natureza homeopática, uma natureza energética semelhante ao princípio da homeopatia, mas ela pode ter questões muito mais complexas. Descreve-se que os espíritos colocam dentro dela fluidos complexos, de variadas naturezas, mas ela vai agir no organismo dando estímulos no nível energético de reequilíbrio, que podem, sim, estar de acordo com a lei de semelhança, a depender do que foi colocado dentro daquela água ou não. Até as próprias medicinas homeopáticas podem ser colocadas pelos espíritos naquela água. Então, há ali uma medicina fluídica que dá um estímulo de reequilíbrio para o organismo em níveis muito profundos, que atua no físico, no emocional e no mental, com grandes poderes de reequilíbrio. É uma medicação gratuita disponível. Para quem não conhece, é aquela garrafa de água pura e simples, limpa, que você leva para o centro espírita durante a reunião, e que vai ser fluidificada durante a prece. Depois, ao final da reunião, você pega, leva para casa e vai tomando pequenos golinhos, de manhã, de noite ou conforme a orientação, ao longo da semana, até voltar novamente para outra reunião. Pode-se produzir água fluidificada em casa, no culto no lar. Você pode colocar uma jarra de água e pedir que ela seja fluidificada durante a prece e orar. Muitos pais fazem isso, às vezes até orando com as mãos postas em cima da água dos filhos, fluidificando naturalmente. Então, a água fluidificada tem um efeito muito positivo.
Os sintomas podem indicar, tanto do ponto de vista homeopático quanto do ponto de vista médico-espírita, gravidade do nível de adoecimento. E, tanto na visão homeopática quanto na visão espírita, o nível de adoecimento mental é mais grave do que o nível de adoecimento físico. Tanto que a gente costuma dizer que o adoecimento mental muitas vezes evita a pessoa adoecer fisicamente, enquanto você pode observar que muitas pessoas acometidas de adoecimento mental não têm grandes adoecimentos físicos e, quando melhora do mental, vem para o físico. É um processo que a gente chama, na visão médico-espírita, de descenso vibratório, indo do nível mais profundo para o mais superficial. E, na homeopatia, a mesma coisa. Se você tem uma ansiedade, uma depressão, e trata homeopaticamente, depois daquilo a pessoa melhora da depressão e melhora da ansiedade, mas passa a ter uma gastrite ou uma asma momentaneamente, esse nível é mais superficial. Conhecer esses níveis ajuda a entender o nível da gravidade e a fase do adoecimento em que a pessoa está. Com isso, nós vamos ver os cenários de resposta à medicação, se está aprofundando, se está paliando, se está curando, se está seguindo as leis de cura ou não. É o que é feito nas consultas subsequentes de acompanhamento. Por isso a gente diz que homeopatia não é retorno, porque não se trata de ter um retorno só; trata-se de acompanhar aquela pessoa e acompanhar o processo de cura, saber se está precisando de nova dose, em que dose, novo medicamento, qual medicamento, que dose adequada, ou se estamos precisando só de aguardar, ou de uma mudança no estilo de vida. É isso que é avaliado.
A participação e o melhor entendimento do paciente influem no resultado? Totalmente. Todos nós, em qualquer área do saber médico, precisamos fazer educação para a saúde com o paciente, porque a maneira como o paciente se comporta define tudo. Na verdade, todo processo de cura é um processo de autocura. Os medicamentos são recursos auxiliares para fazer o reequilíbrio, mas, se o indivíduo não mudar a maneira de pensar, de sentir, de agir, volta a desequilibrar a energia vital e a adoecer. Então, a autoeducação, a renovação de si mesmo, a transformação íntima, a mudança interior, a renovação moral, são o verdadeiro processo de cura que a gente vê dentro do caminho do espírito imortal. É o processo de autocura. Meu primeiro livro chama-se Cura e Autocura e fala exatamente desse processo: todo movimento de cura é um movimento de autocura. Os remédios são auxiliares, sejam homeopáticos ou alopáticos. Claro que, na minha visão, o remédio homeopático é muito mais auxiliar do processo de autocura, facilitador e em sintonia com o processo autocurativo, do que os alopáticos. Mas os alopáticos também são muito úteis e têm também o seu lugar, porque a gente tem que entender os níveis de adoecimento e de sofrimento que o ser humano vive e o que precisa para ajudá-lo de acordo com cada etapa em que está.
Eu estimulo fortemente todo mundo a se tratar com homeopatia. Qualquer adoecimento pode ser tratado com homeopatia. Não é só para alergia, dermatite atópica e coisas superficiais, de forma nenhuma. Essa é uma visão equivocadíssima. Homeopatia é riquíssima de auxílio em todos os níveis de adoecimento. Se só homeopatia vai ser suficiente ou se precisa associar com outras terapêuticas, é outra discussão, que o médico vai avaliar e discutir caso a caso, de acordo com a necessidade do indivíduo. Mas a homeopatia tem recurso para ajudar o ser humano em todas as áreas e ajuda muito fortemente a trazer à tona o natural daquele indivíduo, no reequilíbrio. Eu me lembro de uma paciente, muito irritável, muito colérica, com muita briga consigo mesma, numa autocrítica muito grande. Depois de tomar um medicamento, na primeira consulta de seguimento, ela falou comigo: “Gente, eu estou tão calma, tão tranquila, tão serena, que assim eu posso até amar.” E eu disse para ela: na verdade, essa é você. Aquele estado anterior é que era o sintomático. Você se acostumou durante muitos anos a chamar de eu e de meu o que não é nem eu nem seu. Porque a gente fica dizendo “meu caráter”, “minha tendência”, “meu jeito de ser”, e fica dizendo das nossas defesas, das nossas manifestações patológicas. O que nós somos? Nós somos aquilo que está inibido e que vem à tona quando o reequilíbrio se manifesta. Então, a homeopatia ajuda a trazer o natural da personalidade, da tendência daquele organismo, a desobstaculizar aquilo que os gregos antigos chamavam de physis, a tendência natural e inata à saúde no ser humano.