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Enigmas da Desobsessão

Texto de Jaider Rodrigues de Paulo

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Aprendizado na desobsessão e origem das obras

Durante muitos anos, desde rapazinho, aos 18 anos, vimos frequentando reuniões de desobsessão. Já faz mais de 50 anos que a gente vem aprendendo. Vem aprendendo com os nossos mentores, com outros trabalhadores, com as obras, e viemos aprendendo com os obsessores, que nos ensinam muito nas reuniões, principalmente aqueles já mais bem enrolados nas experiências da obsessão. Ao ter com eles uma conversa, eles nos passam muito conhecimento, importantíssimo.

Mas eles não passam isso de uma maneira gratuita, não é dando uma expansão ao ego para falar que sabem. Falam daquilo que fazem, e, dentro daquilo que fazem, a gente faz uma análise, um link com aquilo que a doutrina espírita fala, que as doutrinas espiritualistas falam e que a ciência fala. Então, é um aprendizado multifatorial, ou de várias cabeças, vamos dizer assim, várias mãos.

Então, Enigmas da Desobsessão foram dois livros que nós fizemos. O primeiro mostrando os enigmas e as técnicas, os modelos de atendimento, de abordagem, de acolhimento; e o segundo mostrando as experiências. Gravamos experiências desses encontros com esses espíritos e publicamos. Um é teórico e o outro é prático.

A importância da reunião de desobsessão diante do desencarne desorientado

Nós vamos iniciar com a justificativa. A reunião de desobsessão é de suma importância. Naquele livro Intercâmbio Mediúnico, na psicografia de Divaldo, o espírito João Cléofas faz considerações muito interessantes. Aquele livro vem falando das experiências dele e alertando os trabalhadores da área de desobsessão, dizendo o seguinte: que o desencarne da humanidade, de nós todos, de todo o grupo terrestre, quando se dá em nível de acolhimento, de orientação e de maior tranquilidade, essa travessia é exceção. O que acontece mesmo é um verdadeiro turbilhão de desorientação.

Isso porque a grande maioria, a esmagadora maioria da humanidade, não sabe, não se preparou para desencarnar. Não nos preparamos para desencarnar. E a maioria desconhece que o pensamento cria formas e que essas formas ficam em torno do indivíduo pensante. Ele não enxerga, porque essas formas se criam na quarta dimensão, na dimensão astral, ou na dimensão espiritual mais próxima, energeticamente e vibratoriamente, das pessoas pensantes encarnadas. Então, o que acontece? Raro é nós nos preocuparmos com a educação do pensamento. Raro é nós.

Então, o que acontece é que, nos desencarnes, as pessoas, ao se desligarem, ao afrouxar o liame físico do espírito, começam a observar e a ver as formas-pensamento. E, quase sempre, o nosso pensar não é um pensar educado. Aquilo que a gente pensa com muita persistência, com muita clareza e com muita emoção cria formas verdadeiras, como se fossem duplos daquilo que nós estamos pensando, duplos de situações que nós estamos vivendo na mente, que estão se materializando. Essas situações, essas formas-pensamento, essas ideoplastias, acompanham o indivíduo aonde quer que ele vá, criam links com outras formas de pensar semelhantes, com as mesmas tonalidades, com os mesmos padrões vibratórios.

Quando o indivíduo desencarna, desconhecendo isso, ele começa a ver as imagens que criou durante a sua vida. Então, vendo aquilo que criou durante a sua vida, não entendendo aquilo e estando num descompasso energético de troca da terceira dimensão para a quarta dimensão, ele perde o controle mental e enlouquece diante daquilo que está vendo, que ele não sabe entender o que é.

Pensa uma pessoa, um de nós, que, de repente, aqui mesmo, encarnado, começasse a ver aquela porção de imagens que estamos pensando, multiformes, como se fosse um mosaico se apresentando. Aparece, some, aparece, some; imagens que acusam, imagens sarcásticas, imagens que compartilham conosco. Se o indivíduo começa a ver aquilo naquele transe, ele perde o controle mental, desorienta e enlouquece por algum período, por um espaço de tempo, mesmo que não tenha tido nada mentalmente quando encarnado. Ele era um indivíduo que tinha uma certa estrutura quando encarnado, mas, nesse transe, nessa troca de energia, nessa entrada em outro padrão vibratório, com essas imagens povoando o mental dele, se apresentando para ele, ele enlouquece.

E, nesses desencarnes enlouquecidos, vão se juntando aluviões de pessoas, aquele grupo de espíritos desorientados, formando o inferno particular e o inferno coletivo. É como se se juntasse aquela porção de pessoas desorientadas dentro de um galpão escuro, gritando, vendo as próprias imagens. É algo terrorífico. Nas próprias imagens, desesperados, agarrando um no outro, e, de repente, abre uma porta com uma luz, e eles saem desorientados, correndo para aquela porta, para se libertar daquilo. E, quando veem, estão debaixo do campo vibratório de uma reunião mediúnica. Às vezes, dez, doze pessoas orando junto com os mentores criam um campo vibracional de tranquilidade, de harmonia. Eles adentram aquilo ali enlouquecidos e recebem como se fosse aquele refrigério. Eles param para respirar, como se estivessem se afogando e, de repente, pusessem a cabeça para fora e começassem a respirar. E aquela vibração vai quebrando o seu íntimo.

Alguns são recolhidos. Outros, depois que se refazem, saem teleguiados por aquelas mentes que os acompanharam, aquelas mentes desencarnadas que os acompanharam, que os induziram a pensar, a fazer aquelas coisas, a compartilhar aquele mundo com eles. Saem ao encontro daquelas mentes, puxados por mentes de bandoleiros, espíritos cruéis, muitas vezes vingadores. E vão ao encontro delas para serem dominados por aquelas mentes e carreados para o mal. A grande maioria é desse jeito.

Nós temos que lembrar que temos, mais ou menos, na psicosfera da Terra, quarenta bilhões de espíritos: oito bilhões encarnados; trinta e dois bilhões desencarnados. É quatro para um, encarnado para desencarnado. E a quantidade de gente que desencarna todo dia, desorientada, sem nenhum padrão vibracional, no sentido de uma preocupação de fazer uma prece, uma leitura, participar de alguma coisa nobre, de alguma coisa edificante, é muito grande. Pouquíssimos de nós. Nós aqui, espiritualistas, que frequentamos tanto o espírita quanto o protestante, como o católico, que frequentam realmente com assiduidade, com a mente voltada para uma transformação pessoal, para um autoconhecimento, isso aí é exceção.

Na Europa, principalmente no primeiro mundo, não se fala de Deus, não se faz prece. Agora pensa num indivíduo vivendo uma vida pragmática, pensando só naquilo que quer, conduzido pelo desejo, fazendo trocas mentais com obsessores de todo tipo no dia a dia, ano após ano, ensaiando, fazendo muitas vezes coisas inconfessáveis, pensando coisas inconfessáveis, e, de repente, vivendo lá os seus tantos anos, desencarna com essas imagens todas, com esse aluvião de energia na mente dele, sem nenhum preparo. Ele não tem nem condições de entrar em contato com o mentor para poder tranquilizá-lo. Fica entregue àquela situação difícil e entra nesse estado.

Esse é o primeiro aspecto de importância de uma reunião mediúnica. João Cléofas fala que não apenas os centros espíritas, mas os templos protestantes, os templos católicos, budistas, que trabalham com mentalização de paz e oração, também são locais de refrigério para essas almas. Elas devem ser trazidas, orientadas para dentro das igrejas, na hora das preces, das missas, dos cultos. Então, é uma luta.

Eu me lembro de uma vez em que eu estava num centro espírita e tinha umas dez pessoas na plateia, uma pessoa fazendo uma palestra, e o mentor falou comigo assim: “Tem espírito aqui dentro.” Nós não os víamos. E tinha um lustre. “Está vendo aquele lustre ali? Eles estão brigando para agarrar no lustre, em cima, no teto. Estão brigando para poder se acomodar naquele lustre ali. Está cheio. Lá fora está uma confusão danada, querendo entrar, esbarrando para poder entrar, porque tinha gente demais, espírito demais.” Isso dentro de um centro espírita. A gente sabe que, quando faz um culto do lar, o culto acende uma luz dentro do lar, e muitos entram, embolando pela rua, desorientados, entram para dentro do lar da pessoa para receber aquele refrigério daquelas preces que são feitas. Então, nós vemos que são importantes esses ambientes.

Regeneração, drenagem das zonas inferiores e reuniões preparadas

A segunda justificativa é a regeneração. Nós sabemos, somos informados por fontes diferentes, que eles estão fazendo uma drenagem de umbral inferior. Não é de umbral médio; é de umbral inferior, daquelas zonas abissais, onde espíritos há séculos não veem a crosta terrestre, não veem a luz do sol. Há séculos vivem lá em grupos organizados, muito bem organizados, com muita disciplina, e vivem lá fazendo laboratórios, fazendo vários tipos de feitos a fim de prejudicar quem vive na crosta, fazendo mutação de vírus, de bactéria, fazendo experiências e implantando isso na crosta, causando muitas doenças, muitos desequilíbrios.

Eles usam a energia do ectoplasma dos encarnados, que é roubada, vampirizada à noite, para ser esse banco de energia ectoplasmática lá nessas zonas abissais, a fim de ser o elemento, o substrato energético para eles fazerem as experiências e até para se manterem naquela forma física. Muitos já perderam a forma física; mantêm aquela forma física vital com os fluidos vitais, com o ectoplasma dos encarnados, em cálculos preparados. O encarnado sai à noite desorientado, assim como desencarna nessa desorientação, sai à noite desorientado e fornece essas energias inconscientemente, a maioria, para esses espíritos das zonas abissais, que são vampiros, que são magos negros, que são chefes de falange.

Essas zonas estão sendo drenadas. Por quê? Porque esses elementos dessas zonas vão ser exilados. Quem vive ali há séculos, sem reencarnar, só engendrando coisas para desestabilizar os encarnados e fazendo todo tipo de ação contra as ordens divinas que regem o globo, esses espíritos vão ser deportados, exilados. Eles não têm mais chance de reencarnar. Quem tem chance de reencarnar são aqueles que frequentam o umbral médio, esses umbrais que permeiam aqui a Terra, porque esses são espíritos desorientados, não são espíritos vinculados profundamente à crueldade. O que caracteriza os das zonas abissais é a crueldade, a inteligência e a crueldade. Esses do umbral médio, não: é desorientação, ignorância, viciações. Esses têm chance ainda de reencarnar e, mudando a pedagogia de aprendizado neste terceiro milênio, com a educação mais aprimorada, têm chance ainda de redimir-se diante da própria consciência para permanecer aqui. Mas esses das zonas mais profundas, não.

São esses que estão sendo trazidos à crosta, a fim de ser trabalhados, muitos deles em reuniões de desobsessão preparadas, melhor preparadas. Essas reuniões de desobsessão, ao receberem esses espíritos muito comprometidos, cristalizados num tipo de energia muito deletéria, muito pesada, servem como choque anímico. É como se o indivíduo estivesse todo sujo de barro e, de repente, tomasse uma chuveirada, e aquela casca grossa saísse para ele ser conduzido para um outro orbe e facilitar a adaptação ao fluido universal desse orbe. Porque ele vai ter que trocar de pele espiritual, vai ter que reformar o perispírito dele através das energias desse orbe.

Então, os mentores nos falam, nos ensinam, que é de suma importância para eles esse contato nas reuniões mediúnicas, para descristalizar alguns tipos de ideias, para facilitar essa incursão nesse outro orbe, a fim de que eles possam recuperar-se mais rapidamente, ter chance de voltar mais rapidamente. Então, é muita a importância dessas reuniões. E não é qualquer reunião que vai poder receber um espírito desse, um espírito que está há milênios, às vezes, sem reencarnar, espírito que já veio de outros orbes, exilado de outros orbes, e que veio ainda com a sua rebeldia insistida contra a organização cósmica, e se refugiou nas zonas inferiores, e lá faz os seus infernos particulares e coletivos, com as organizações criminosas que ficam perturbando os encarnados, e irão para uma nova possibilidade em outro orbe.

A presença desses espíritos numa reunião de desobsessão exige um grupo, exige um estado mental bem qualificado.

Tipos de reuniões mediúnicas e graus de complexidade do atendimento

Vamos falar em três tipos de reuniões mediúnicas e comparar as reuniões mediúnicas a um hospital. Tem a primeira entrada dele, que é o ambulatório. No ambulatório, você faz pequenas intercorrências, pequenas ações, como a retirada de uma verruga, drenagem de um abscesso, uma receita, uma consulta. Então, são coisas mais simples, que podem ser feitas no ambulatório. Não precisa internar o indivíduo para fazer uma drenagem, às vezes um abscesso na pele, essas coisas assim. Nós comparamos esse tipo de reunião com a reunião de desenvolvimento mediúnico, para que o indivíduo possa começar a treinar a sua mediunidade. E nós entendemos que desenvolvimento mediúnico é um treinamento, a fim de que ele vá desenvolvendo a sua capacidade, treinando a sua capacidade, a sua desenvoltura com aquelas energias, vai melhorando o traquejo dele de lidar com as outras mentes, a fim de que ele possa ser útil para ele e útil para aquelas mentes específicas. É um treinamento.

Nós entendemos que todas as reuniões mediúnicas exigem que o indivíduo se prepare para isso. Geralmente, a pessoa começa a frequentar um centro espírita, e lá o centro espírita tem a reunião de desenvolvimento mediúnico. A pessoa fala da sensibilidade dela, os orientadores a observam, e ela é levada à reunião de desenvolvimento para desenvolver essa capacidade sua de poder entrar em contato com as outras energias, conjunturas, vibrações, para poder ir desenvolvendo isso aí. Educação mediúnica, justamente: o indivíduo educar esse tipo de coisa.

Muitos indivíduos chegam nessas reuniões, às vezes indicados por pessoas, porque estão apresentando algum desequilíbrio emocional. Às vezes já até passaram por consultórios psiquiátricos, e, na realidade, não é nada, não é doença mental nenhuma; são situações psíquicas mesmo, fruto dessa sensibilidade mediúnica aguçada, que precisa ser trabalhada. É muito comum. Eu tive muitos pacientes que tinham isso, procuravam o consultório, e a gente via que era uma sensibilidade mediúnica aguçada, encaminhava para uma reunião. E muitas dessas pessoas se afiliavam ao centro, começavam a frequentar e paravam de tomar remédio, paravam de ficar em consultório psiquiátrico, e tocavam a vida para frente.

Depois que esse grupo vai se desenvolvendo, vai pegando traquejo, vai sabendo manejar melhor essas energias, vai entendendo melhor, vai estudando, vai se qualificando melhor, aí começa realmente uma reunião mediúnica de tratamento, uma reunião mediúnica comum, que a gente vê por aí. Essas reuniões, de uma maneira geral, recebem aqueles espíritos em situações mais simples. Não são espíritos maldosos; são espíritos viciados, mas que nunca pensaram em nada produtivo. Isso é importante. A questão do pensamento, a questão da fé do indivíduo, da crença do indivíduo, do trabalho que o indivíduo faz para se qualificar como pessoa melhor, é de suma importância, principalmente quando a pessoa se interessa e passa a ler alguma coisa ou observar alguma coisa no plano da espiritualização, da espiritualidade.

Tem um livro que eu sempre falo dele, que, para mim, foi muito importante. Esse livro clareou muitas coisas. É da Federação Espírita do Estado de São Paulo e se chama À Margem do Rio Sagrado. É um rapaz que frequentou a Federação Espírita de São Paulo por pouco tempo, sete anos só. Fez campanha do quilo, assistiu a palestras, mas morreu muito novo. Pegou uma pneumonia e morreu muito novo. Ele desencarnou no hospital com a pneumonia e se viu num salão grande, cheio de macas. Nessas macas, ele e mais alguns estavam acordados; a grande maioria estava dormindo. E havia uma porção de pessoas trabalhando junto a eles, senhoras, homens, todos paramentados, trabalhando.

Ele, curioso, perguntou a um rapaz que passou perto dele, um enfermeiro: “Você podia me dar uma informação?” “Pois não.” “Por que eu e mais um pouquinho estamos acordados, observando o que está acontecendo, e a maioria dorme?” Ele falou: “Quem se preocupou com a vida espiritual, com a vida em espírito, abriu uma frequência de consciência que, quando desencarna, desencarna lúcido. É o caso de vocês. Vocês abriram uma frequência de interesse por participação espiritual. Essa frequência mantém vocês lúcidos, e, quando vocês desencarnam, vocês têm lucidez. Os outros dormem porque dormiam em espírito quando encarnados, com as preocupações materiais. Não se preocupavam em nada com a questão espiritual. Continuam dormindo naquilo que eles não abriram frequência quando estavam encarnados.”

Então, a importância do pensamento do indivíduo. Quando João Cléofas fala que o indivíduo é pego, quando desencarna, e toma aquele choque diante da reunião de pensamentos que teve no dia a dia, ano a ano, é que ele vê que não tem controle sobre aquilo. Realmente não tem estrutura mental para segurar aquilo e enlouquece. Então, essa segunda reunião é aquela em que as pessoas já passaram pelo desenvolvimento, e aí é uma reunião com pessoal que tem uma qualificação melhor, um entendimento melhor, já leu mais, já participou mais, já teve mais contato com espíritos. Então, realmente é uma reunião mediúnica propriamente dita.

Essas reuniões recebem aqueles espíritos vingadores, aqueles espíritos que morreram em situação difícil, então vingando aquelas pessoas que fizeram com que eles sofressem, que já vinham conseguindo obsediar, perseguir uma pessoa, quando encarnados ou desencarnados. E eles, ao desencarnar, identificam o encarnado e ficam perseguindo, perseguindo o encarnado. Então, esse é um espírito mais violento, porque tem aquela sede de justiça, achando que tem razão, porque foi prejudicado por aquelas pessoas, e persegue aquelas pessoas quando encarnado e continua perseguindo depois que a pessoa morre. Esse tipo de espírito precisa de uma qualificação melhor dos participantes, a fim de lidar com esse tipo de espírito.

O terceiro tipo de reunião é a reunião de desobsessão propriamente dita. De uma maneira geral, essa reunião é fundada no centro espírita, em primeira instância, em função de aliviar a carga em cima das pessoas que frequentam o centro espírita, em especial os dirigentes, os diretores, aqueles trabalhadores de frente. Porque esses trabalhadores de frente incomodam o mundo astral inferior, tanto o das zonas abissais quanto aquelas organizações que estão na crosta terrestre. Eles incomodam. Então, é como se fossem perseguidos por esse tipo de espírito. Eles começam a ver que o centro está começando a render um tipo de produção que está prejudicando o trabalho deles, das organizações deles. Eles localizam os líderes e começam a perseguir os líderes, perturbar a família de uma pessoa, perturbar a pessoa no trabalho, perturbar a pessoa em si, no dia a dia, incutindo ideias destrutivas na mente da pessoa.

Então, os trabalhadores do centro espírita, sentindo-se coagidos mentalmente por esse tipo de espírito, pensam logo em fazer uma reunião de desobsessão. E, para fazer essa reunião de desobsessão, escolhem aqueles elementos mais assíduos, melhor preparados, de maior responsabilidade no centro. Geralmente, são esses elementos que vão fazer parte da reunião de desobsessão. Essa reunião, com esses elementos mais preparados, com esse elemento de compromisso, tem maiores condições de formar uma egrégora energética, onde os mentores conseguem melhor trabalhar.

Tônus mental, preparo do grupo e capacidade de atendimento

O que eu falo é formar uma reunião, uma egrégora mais potente. Todos nós temos um tônus mental. O tônus mental seria a média aritmética das vibrações que o indivíduo tem nas 24 horas. Vai se somando a média aritmética naquele indivíduo, nas 24 horas, e aquilo fala do tônus mental dele. O indivíduo que não tem nenhuma ligação espiritual, não tem nenhum controle do pensamento, não se preocupa com isso, nem sabe que tem que se preocupar com isso, e cujo pensamento está sempre em baixa, porque pensa nas coisas materiais, nas malícias do dia a dia, em como ganhar mais dinheiro, em como ter uma vida mais folgada financeiramente, não importa passar por cima do outro, invadir as necessidades do outro, os direitos do outro, empregar astúcia para viver adquirindo coisas que não são dele, esquecendo que qualquer coisa que nós adquirimos que não é nossa, nós vamos ter que entregar, porque é da Lei; esses indivíduos é que são recolhidos, geralmente, numa reunião daquela segunda que eu falei. Mas alguns deles são aliciados pelas trevas, porque, às vezes, têm mais inteligência, capacidade mental maior. Então, são selecionados nesse grupo pela capacidade mental, levados, doutrinados e preparados, a fim de que possam servir, fazendo parte desses grupos de espíritos.

Então, esse tônus mental que um indivíduo tem é muito importante para a reunião. Quando os elementos da desobsessão propriamente dita, esses elementos que estudam mais, que se preparam melhor, que têm compromisso, que fazem parte dessas reuniões nos centros ou de igrejas também — não estamos falando só do espiritismo, não; outras igrejas também fazem isso, mas o espiritismo é mais direcionado a esse tipo de trabalho —, quando você direciona o seu mental para um tipo de coisa, qualquer, você o foca naquele tipo de coisa, e ele ganha força exponencial. Então, todos numa reunião de desobsessão, que estudam, que se preparam e têm compromisso, conseguem aumentar, cada um, o tônus mental dele. Há uma somatória do tônus mental do grupo dos encarnados, e esse tônus mental do grupo encarnado soma-se com o tônus mental dos mentores, divide por dois e dá uma resultante energética que faz com que esse grupo seja capaz de receber determinados tipos de espíritos, de mente mais adestrada para o mal.

Vamos dar um exemplo. Vamos supor que um grupo, estudando, trabalhando, tenha um tônus mental de 6. Os mentores podem estar num plano mais esclarecido, mais compromissado, mais tempo desencarnado, com a mente em cima de algo produtivo, nobre, num campo energético mais potente. Eles têm, vamos dizer, um tônus mental de 30. Isso é só para a gente ter um exemplo. O grupo tem 6, os mentores 30. Total: 36, dividido por 2, dá 18. Então, o tônus mental da reunião é 18. Aquela reunião está qualificada para receber espíritos que têm um tônus mental abaixo disso. Mas por que os mentores têm um tônus mental maior, e por que espíritos com mente mais adestrada para o mal também podem ter uma força mental maior que a nossa? Por causa do tempo em que eles estão estudando, da disciplina que eles têm, que nós não temos, e da determinação que eles têm naquilo que estão fazendo, que nós não temos.

Vocês querem ver uma coisa? Nós estamos encarnados aqui, e o objetivo e o sentido da nossa vida é espiritualizar, mas talvez 90% do nosso pensamento seja material. Acho que, se tivermos 10% de pensamentos espiritualizantes, é muito. Nós vivemos preocupados em nível material. Vocês podem observar: 90% do que a gente pensa é em nível material. A gente faz uma prece de manhã, faz uma prece à noite, lê uma página, vai a uma reunião duas vezes por semana — a maioria vai a uma. Isso vai dar uns 5% do seu tempo em que você se dedicou à sua espiritualização. Em 90% da sua vida material, a sua preocupação, o que povoa a sua mente, é a sua preocupação material. Então, na hora de fazer o tônus mental, ele é baixo.

O tônus mental das trevas é maior que o nosso, por causa dessa propriedade. Porque o tônus mental também é dado pela capacidade cognitiva do indivíduo. Quanto mais intelectualizado o indivíduo é, mais força mental ele tem; quanto mais conhecimento o indivíduo tem, tanto faz nas trevas quanto no mundo superior, mais força mental ele tem. Então, o tônus mental dessas trevas abissais é muito forte. Por isso, tem que haver um tônus mental, numa reunião de desobsessão, em que os indivíduos sejam melhores qualificados e compromissados com o tipo de trabalho que estão fazendo. Então, a capacidade de uma reunião dessa é diretamente proporcional ao preparo dos encarnados.

É uma hipótese que não existe, mas só para nós entendermos bem. Se os encarnados começam a se preparar muito e chegam a um tônus mental 30, os mentores que os orientam têm que mudar de escala; têm que ser de 60, 100. Ou seja: quando o grupo encarnado vai subindo muito no tônus mental, numa capacidade mental, os mentores da reunião também têm que ter um nível superior, bem superior, para poder abastecer aquela reunião. Então, vamos supor: um mentor de orientação média não pode orientar um médium que estuda muito e tem uma orientação maior. Essa graduação tem que vir de mais alto. Pode até passar por aqui para aquele, mas ele tem que buscar recurso lá em cima para o tipo de trabalho que vai realizar.

Então, a natureza não dá consciência de uma hora para outra. Não vou falar que a natureza não dá salto, porque ela dá salto, sim, dá salto quântico, mas, para dar o salto quântico, tem que haver um tônus de energia a ponto de mudar de uma órbita para outra, de um estado para outro. Então, quanto mais nós nos preparamos, mais esses mentores têm condições, através da gente, de fazer mais. Então, a reunião de desobsessão se qualifica para poder receber esse tipo de proteção do trabalho mediúnico.

Estudo, desafios do intercâmbio e benefícios invisíveis da reunião

A preparação dos membros do grupo é muito importante, porque o membro de uma reunião de desobsessão tem que estudar. Ele tem que estudar, porque nós vamos ver que, quanto mais espíritos difíceis aparecem numa reunião de desobsessão, é sinal de que ela está se qualificando melhor. Porque os mentores não deixam trazer espíritos muito difíceis para reunião que não tem condição. Eu já participei de reunião que não tinha muita condição, e os mentores deixaram de entrar espíritos que chegaram, lavavam a cara da gente, chamavam como desafio, e a gente ficava sem saber o que falar com aquele tipo de espírito. Ele entregava e saía do mesmo jeito, porque propunha um desafio que a gente não sabia responder. A gente tinha que estudar. Estava estudando pouco; precisava estudar mais. Eu mesmo sofri vários desafios em reuniões, em que eu tinha que botar a viola no saco e ficar pensando: o que eu vou fazer numa situação dessa?

Uma vez, falei com um espírito, lá no Hospital André Luiz, na reunião. Fui falar com ele do Evangelho, e ele falou assim. Ele se dizia saqueador, não da Inquisição, mas das Cruzadas. Era um chefe cruzado, que não tinha nada com religião. Era um religioso, mas ele gostava era de saquear. O grupo dele saqueava onde chegava e fazia isso em nome do Cristo. Quando eu fui falar alguma coisa do Evangelho com ele, ele falou: “Vamos parar só um pouquinho. Vamos fazer o seguinte: eu falo o versículo, você me faz a passagem; você fala a passagem, eu falo o versículo.” Esse terreno não era para mim. Eu não sabia para onde eu ia fazer alguma coisa dessa. Tive que levar a conversa para o outro lado. Estou falando isso do preparo deles, do preparo deles. Então, o grupo tem que se preparar, para poder entrar numa situação dessa.

Porque o ganho é muito grande. O ganho para quem participa da reunião é muito grande. E eu posso garantir que uma percentagem imensa, mais de 90% dos benefícios que a gente recebe numa reunião dessa, nós não sabemos deles. Passam despercebidos. Muitas coisas são tiradas da frente da gente porque você tem uma migalha de boa vontade numa reunião dessa. Às vezes, um problema sério na vida, pela frente, é afastado porque você está fazendo uma reunião muito importante, não simplesmente para você, mas para a coletividade. E vocês vão observar que, quando a gente não está preparada e consegue imobilizar um mago negro, com todo aquele acervo, aquela falange que o acompanha, a quantidade de gente beneficiada, que você nem conhece, de família daqui, de outros estados, que essa organização persegue e que recebe um bem-estar longe, é imensa. Você nem sabe.

É provocado daquela reuniãozinha? Porque você desativou. A partir de que você participou — quem faz, na realidade, são os mentores —, mas você participou com a sua energia, com a sua boa vontade, com a sua capacidade mental já para aquele trabalho. Então, muitas coisas são retiradas da sua frente para que você continue fazendo o trabalho. E, você fazendo o trabalho, vai aliviando as suas dores e vai aliviando as dores de pessoas que você nunca viu na sua vida e talvez nunca vá ver.

Afetividade, proteção do grupo e vigilância mental

A grande força que segura uma reunião de desobsessão é a afetividade entre os membros do grupo. Nós vamos falar depois sobre um tipo de energia. Eu nunca tinha ouvido falar nessa energia, mas estudei e descobri. É um tipo de energia que une o grupo, e, quanto mais afetivo é o grupo, porque a afetividade fraterna entre o grupo sedimenta um tipo de energia no grupo, faz uma egrégora, um campo mental do grupo, que defende o grupo contra as incursões negativas. Então, o que acontece? A maior defesa que o grupo tem é a afetividade entre os membros do grupo. Grupo de reunião mediúnica que começa a ter atrito é sinal de que deixaram brecha para entrar as ideias negativas do mundo inferior. Então, o grupo mediúnico, quanto mais afetivo, quanto mais gosta um do outro, quanto mais tem prazer de ficar um perto do outro, quanto mais se preocupa um com o outro, mais força dá essa egrégora mental, esse campo energético protetor do grupo, tanto junto com os mentores quanto junto com os encarnados.

Há uma defesa psicoespiritual entre o grupo, que é o maior defensor que o grupo tem, e, muitas vezes, a gente não sabe disso. Na maioria das vezes, a gente não sabe disso. Até os mentores do nosso grupo falam com a gente: quando vocês tiverem dificuldade na vida do dia a dia, pensem na gente, porque, quando você pensa no seu grupo, você se liga com a egrégora, e a proteção vem na hora. É uma maneira de você estar ligado, porque, quando você pensa e pede ajuda, você foca. Então, essa afetividade entre o grupo é altamente defensiva.

E, sempre que esse grupo se reúne, é muito importante, além da oração, a mentalização criativa, a fim de elevar o tônus do grupo, que eu falei aqui. Elevar o tônus mental de cada um e elevar o tônus mental da somatória do grupo, a fim de que, aumentando o tônus naquele momento, ele estabeleça maior possibilidade de ligação com as correntes energéticas mais sublimes dos mentores que estão ali junto, ou de mentores de hierarquia maior, que às vezes têm incumbência. Porque a reunião mediúnica tem os mentores juntos, tem aqueles mentores dos mentores e tem aqueles mentores dos mentores dos mentores. Quando essa reunião é uma reunião séria e produtiva, há um fio diretor do mais alto, partindo do coração da vida, e vem se desdobrando até os mentores junto à gente. Tem situações em que os mentores se concentram, se ligam nesse fio diretor para poder ganhar aquela energia, energia vinda mais alto, para fazer a vontade do Criador, a vontade do Cristo naquele momento. Então, a mentalização criativa é muito importante, e pouco tempo, cinco minutinhos para a pessoa relaxar, respirar, mentalizar alguma coisa superior, aumentar o tônus mental, já traz benefício para o médium.

Treinar a vigilância mental contra a ação de entidades adversárias da paz, que nós já falamos aqui, é muito importante. Porque o indivíduo, quando começa uma vida espiritualista, tanto faz no espiritismo, em qualquer religião, quando ele começa a se preocupar com a sua melhoria e começa a levar essa melhoria para outras pessoas, para a sua família, para o seu meio social, ele começa a incomodar os adversários da paz. Eles buscam um jeito de armar uma cilada para ele, de tirar ele do caminho. Já começam por perturbar, porque, de repente, ele fala alguma coisa importante com um obsediado, o obsediado começa a pensar em outra coisa; depois ele fala uma coisa espiritualizante, virtuosa, o obsediado presta atenção naquilo, começa a elevar o tônus mental dele, vai ser desligado, e aí o perseguidor fala: “Vou em cima desse indivíduo. Está perturbando o meu trabalho.”

Então, é importante aquela egrégora de proteção. Mas também é importante porque ajuda o indivíduo a ficar mais vigilante, porque começa a tomar conhecimento de que, junto com o pensamento dele, tem outros pensamentos que podem ser bons ou não. Então, ele começa a melhorar, a vigiar o próprio pensamento. Esse vigiar o próprio pensamento já é uma preparação para o próprio desencarne, para não sofrer aquelas desilusões de desencarnar com tantos pensamentos negativos, e principalmente da profundeza de nós mesmos. Porque, quando a gente estabelece ligações negativas, é porque há ressonância dentro de cada um de nós. Isso é um indicativo. Nós estamos encarnados. Se estivéssemos no mundo mental superior, seria diferente. Aqui, não. Aqui, nós estamos debaixo das injunções da carne e dos pensamentos, convivendo com encarnados e desencarnados, afetos e desafetos. Então, a vigilância aqui tem que ser maior. Mas, quando você adquire vigilância aqui, disciplina mental aqui, ela se eleva ao exponencial no mundo espiritual. Aqui você abre as frequências de tudo que você vai caminhar num mundo espiritual. Se você abre frequência aqui, você continua lá. É aquilo que o Cristo falou: “O que ligares na Terra será ligado no céu.” Quando se abre frequência de qualquer pensamento nobre aqui, você está se candidatando a continuar esse pensamento, a esse tipo de aprendizado, lá.

É aquilo que aquele espírito, no livro À Margem do Rio Sagrado, falou com aquele rapaz: o fato de você pensar na espiritualidade, tentar se melhorar, você abriu frequência com algo espiritual, e você está lúcido aqui. Ele abriu a frequência aqui, desencarnou e continuou lúcido do lado de lá. E isso deu a ele a possibilidade de desenvolver rapidamente um trabalho magnífico nas psicosferas médias.

Mediunidade de tarefa, miasmas do passado e função educativa do trabalho

Drenar miasmas encrustados profundamente na nossa tessitura espiritual. O médium, o indivíduo, quando vem para ser médium, médium de tarefa, porque nós temos dois tipos de mediunidade, praticamente: a mediunidade evolutiva, que todo mundo vai adquirindo à medida que vai aumentando o cognitivo, e o sentimento, as emoções vão se qualificando melhor; ele vai desenvolvendo uma mediunidade que vai acompanhar ele para o resto da eternidade. A mediunidade é a capacidade de o indivíduo perceber as vibrações de outra pessoa, do ambiente, de tudo. É sempre a melhorar a capacidade perceptiva vibratória das várias vibrações que povoam o universo. Isso seria mediunidade. Então, é um dom do espírito com o pensar; é um dom do espírito.

Acontece que nós temos vários miasmas encrustados, vários tumores vibracionais incrustados no campo mental de cada um de nós, dados as encarnações passadas, os enganos do passado. Então, nós temos vários. Pensa bem: nós, há 200 anos atrás, o que é que a gente fazia quando tinha poder na mão, sem aprendizados realmente cristãos, aprendizados só de fachada, de rótulo? O que é que a gente podia fazer, vinculado principalmente à matéria, aos interesses materiais, conduzido pela astúcia, pelas forças de enganar os outros, de enganar a si próprio, enganar o meio? Vê a quantidade de abscessos energéticos que nós temos no nosso perispírito, principalmente no nosso campo mental, no corpo mental, de atitudes desorientadas que nós fizemos no passado.

E os médiuns são aqueles indivíduos em que eles estão numa situação que é assumir a mediunidade, a mediunidade de trabalho, não a mediunidade evolutiva. Você aprende a mediunidade, e ela se desenvolve à medida que você vai desenvolvendo a sua evolução. A mediunidade de tarefa é do indivíduo muito compromissado, que está entre a expiação e a prova, está naquela linha: expiação ou prova. Aí, como a lei é educativa, chama ele para a prova na mediunidade. Porque a expiação pode fazer ele crescer. É uma pedagogia. O sofrimento é a maior pedagogia que tem para despertar uma alma. O sofrimento é a maior pedagogia que existe no nosso campo de evolução, naqueles espíritos que evoluem na Terra. Outros orbes, eu não sei, mas, na Terra, é o sofrimento, porque o sofrimento abre as comportas da consciência.

Quem já viu uma pessoa pegar uma neoplasia e começar a sofrer com a neoplasia vê que o mental dela muda. A maioria muda. E as pessoas até confessam isso: “Mudou minha maneira de sentir, de pensar, de analisar a vida, de viver a vida, do olhar que eu tinha pela vida.” É o sofrimento que faz isso. Então, nós temos isso incrustado. Nessa linha, há uma lei educativa. A lei não é punitiva; ela é educativa. Ela traz o indivíduo para a mediunidade para que ele, na mediunidade dele, drene esses tumores energéticos no campo mental, no corpo mental, através do trabalho. E, toda vez que o indivíduo entra em contato com um espírito que guarda ressonância com a problemática que ele tem, e faz isso com espírito de doação — porque o médium, para trabalhar a mediunidade em reuniões de desobsessão, tem que ter muito espírito de doação —, ele vai drenando.

Para isso, ele tem que ter compromisso, tem que ter assiduidade, tem que ter pontualidade. Isso que o umbral inferior tem. O nazismo brigou com o mundo seis anos porque tinha muita disciplina. A Alemanha se levantou com dezoito anos porque tinha muita disciplina. O trabalho na disciplina, o rendimento é outro que um trabalho frouxo. Então, tem que haver disciplina. O médium, para poder trabalhar numa reunião de desobsessão, tem que ter assiduidade e pontualidade, porque o trabalho, muitas vezes, é montado dias antes. A espiritualidade já vai fazer a ligação daquele espírito com aquele médium dias antes. A equipe que vai trabalhar aqueles espíritos já começa a trabalhar dias antes, fazendo uma ligação.

É por isso que, às vezes, o médium entra com dor de cabeça na reunião, e, quando termina a reunião, está aliviado. Isso é muito comum. É só perguntar aos médiuns se sentiram alguma coisa na véspera, ou na tarde daquela reunião, se a reunião é à noite. Depois da reunião, saem de novo revitalizados, porque a ligação foi feita dias antes ou horas antes. Agora, como é que a espiritualidade, que faz tudo planejado, com disciplina, com civilidade, com responsabilidade, com pontualidade, pode acreditar e fazer um trabalho em cima do médium flutuante, que não tem responsabilidade com o trabalho? Como é que pode fazer essas ligações mais profundas, onde vão fazer essas ligações com espíritos trevosos mesmo, de uma inteligência muito aguda, de muitos séculos trabalhando numa área, estudando numa área? Como é que faz uma ligação para ajudar um espírito desse e essa porção de espíritos que eles comandam, uma porção maior, que eles prejudicam, se o médium não tem compromisso, não prioriza essa reunião nesse dia na vida dele, se o médium, por qualquer coisinha, desvia do compromisso dele? É uma coisa séria, realmente. Desobsessão é uma coisa séria.

Benefícios da reunião para todos os médiuns e consequências do abandono da tarefa

Nós comparamos a reunião de desobsessão, no hospital, com aquela terceira parte: a reunião de desenvolvimento mediúnico seria como um ambulatório; a reunião mediúnica, já após o desenvolvimento, funcionaria como um bloco cirúrgico onde a gente vai fazer uma cirurgia comum; a reunião de desobsessão é um bloco cirúrgico de alta complexidade. Aí já não se faz simplesmente uma apendicectomia; aí já se faz transplante cardíaco, transplante pulmonar, transplante renal, cirurgia neurológica. Precisa de CTI. É uma coisa mais qualificada. Esse seria um comparativo com a reunião de desobsessão. Em um hospital, uma cirurgia dessa, não pode pegar o paciente hoje e dizer: “Eu não vou trabalhar, não vou lá hoje.” Como é que pode acreditar numa equipe dessa, no hospital, com médico, com equipe preparada dessa maneira, se não tem compromisso, se o anestesista atrasa, se o paciente ou o médico aparece duas horas depois? Como é que pode fazer um trabalho qualificado desse jeito? A desobsessão é a mesma coisa, talvez num nível até muito mais grave, que nós ainda não temos condições de ver isso, talvez num nível bem mais profundo e mais grave, porque ali talvez você vá ajudar um indivíduo, mas aquele indivíduo, ou aqueles que estão atrelados a ele, às vezes são centenas de outros que irão receber, de rebote, a ação daquela reunião. Então, é uma importância muito grande.

É de suma importância que, quando você tem um contato com esse indivíduo, e a ressonância sua com aquele espírito do seu passado faz você já ter feito o que ele faz, ou ter se aproximado muito, em vibração, do que ele faz, você ativa esses focos que estão no seu campo mental, no seu corpo mental, e drena energias desse foco. Então, muitas vezes, se você trabalha por 20, 30, 40 anos em reunião de desobsessão, você faz tantas drenagens desses abscessos psíquicos que vai purificando o seu perispírito, à medida que, através da boa vontade, da preparação, do espírito de fraternidade, você ajudou a libertar muitas pessoas. Você fez parte da libertação de muitas pessoas que você não conhece. Foi um bem que você fez sem olhar a quem, de profundo significado na sua vida. Quando você vier, desencarnado, tomar contato com isso, com o trabalho de que fez parte, com a libertação que você ajudou a fazer, às vezes de uma coletividade inteira, você vai ver o alcance disso. A reunião de desobsessão tem essa capacidade.

Os benefícios para os médiuns não ostensivos são muito grandes. É muito comum os médiuns de sustentação acharem que não fazem nada. Falam: “Eu não vou a essa reunião mais, não, porque eu chego lá e fico só rezando, não tem nada.” Mal sabe ele que é o sustentáculo da reunião. Ele é como se fosse aqueles mourões onde vai passar o arame na cerca. É aquele elemento que, muitas vezes, está mantendo a reunião com a vibração dele. Através da doação de ectoplasma, ele vai doando ectoplasma à reunião, ele não está percebendo isso, e, através daquele indivíduo, os mentores estão fazendo prodígios. Ele acha que não está fazendo nada, que está ali à toa, só rezando, só mentalizando, mas isso aí é um exercício muito grande. Se vocês pensarem, é um exercício mental muito grande, porque você ficar concentrado, pensando em coisa boa durante uma hora, não é para qualquer um, não.

Façam uma análise crítica. Tentem fazer dez incursões respiratórias pensando só com a mente fixada no corpo, expandindo e contraindo. Tentem fazer, com o pensamento só ali. Vocês vão ver o pensamento rodar. Na terceira, você puxa; ele roda. Na quarta, você puxa. É um treinamento. Tentem fazer para ver uma coisa: vocês mantêm o foco do pensamento nas incursões respiratórias por dez incursões, sem tirar o pensamento? Tentem fazer. Vocês vão ver como isso não é fácil. Só aqueles que treinam isso há muito tempo conseguem. O pensamento da gente é borboleta. Fica voando. Então, os médiuns não ostensivos são muito importantes, tão importantes quanto os médiuns ostensivos.

E, voltando aos médiuns ostensivos, quando o indivíduo está naquela condição entre expiação ou mediunidade, e opta pela mediunidade, pede a mediunidade, é orientado para a mediunidade, é feito um trabalho no perispírito dele, nos neurônios dele, para reencarnar com a faculdade mediúnica a desabrochar em época certa, para que ele trabalhe essa mediunidade a serviço da coletividade dele. Eu internei muitos pacientes, tratei de muitos pacientes nesses mais de 40 anos de psiquiatria, e era muito comum, no André Luiz, eles falarem comigo, em quadros psicóticos: “Doutor, eu já fui médium.” Eu falava: “Já foi médium? Como assim?” “Acabei com a reunião mediúnica.” “Já? Você recebia espírito?” “Recebia espírito. Trabalhei muito tempo.” E eu perguntava: “Mas como é que foi? Conta como é que foi isso.” Isso, muitos, viu, gente? Muitos.

Aí ele falava: “Eu estava na reunião mediúnica, mas aí larguei.” “Por que foi que você largou?” “Ah, não sei. Fui fazer um curso.” Outro falava: “Eu mudei de trabalho. Meu trabalho melhorou.” E eu perguntava: “Mas você não arrumou outra?” “Não, eu desisti. Acabei desistindo.” Desistiu da mediunidade e encontrou com a doença mental, porque ele estava na linha, dado o passado dele; ele estava na borda ali. Ele não cumpriu o compromisso que veio fazer. Ele desmaneou-se, o passado voltou, foi influenciado, a doença mental apareceu. A drenagem daqueles abscessos do corpo mental tinha que ser feita em doses homeopáticas, de modo que ele continuasse mantendo a integridade mental dele, trabalhando na vida dele, comendo o pão com o suor do seu rosto, com os filhos dele, e, nas horas de lazer ou nas horas livres, fazendo o trabalho mediúnico. Ele não fez isso. A lei queria que acontecesse com ele? Não. Mas foi dada a oportunidade da mediunidade, e ele não cumpriu esse direito. Aconteceu isso.

A oportunidade reencarnatória e a seriedade do compromisso mediúnico

No livro Instantes da Vida, há uma coisa muito realista. É a história de um médico. Ele desencarnou muito comprometido, com muitas culpas nas costas, muitos crimes. Depois que tomou consciência disso, depois de muito sofrer no plano espiritual, a culpa estava acabando com ele. Não estava aguentando ficar no mundo espiritual, porque a culpa o consumia. Então, pediu uma reencarnação. Fez um requerimento, entregou para o mentor dele e falou: “Você pede lá aos superiores dessas provas para mim.” Porque o pedido dele era assim: nascer num bordel, sem saber quem era o pai, e, novinho, pegar lepra; zanzar na rua, na leva do vício, debaixo das marquises; e, mais velho um pouco, ser conduzido a um leprosário, carcomido pela lepra, fedendo nos cantos, ninguém querendo chegar perto dele, e morrer naquela miséria.

Esse pedido que ele fez, o mentor dele olhou e falou: “Eu não sei se eles vão concordar com isso, não. Não sei. Mas leva para mim, por favor.” Aí levou para os mentores superiores. E, com a lei educativa, veio a resposta: você vai ter um lar, vai ser filho de pai e mãe bem equilibrados, vai casar aos 30 anos, vai ter uma mediunidade de cura, vai trabalhar para comer o pão com o suor do seu rosto e, nas suas horas de folga, vai trabalhar aliviando as dores dessas pessoas que não têm recursos médicos para se tratarem.

Ele falou: “Ah, isso é moleza.” Até esboçou um sorriso. Fácil demais. Porque o que ele queria era mais dor. Mas era coercitivo: ele tinha que passar por isso. E Humberto de Campos fala assim: ele está com 32 anos, a mediunidade eclodiu aos 30, e ele está levando a sério? Não. Está achando muito chato ter que ir para o centro espírita ajudar pessoas. Está achando uma chatice a cura. Quer dizer: se ele fracassar, é um candidato à doença mental, à expiação forte na outra encarnação.

Clareza mental, circuito mediúnico e elevação de frequência

O médium não ostensivo vai treinar a vigilância e a nitidez mental. A nitidez mental, gente, é o que realmente dá força ao pensamento, à ideia. O que dá força ao pensamento é a capacidade cognitiva, o estudo que o indivíduo faz e a nitidez com que ele pensa. É isso que dá força ao pensamento. A capacidade cognitiva do indivíduo, como ele estuda, reflete, estuda, reflete, pensa naquilo, fica estudando aquele segmento como aprendizado, e a nitidez com que ele pensa: é isso que dá força ao pensamento.

Tanto é que, na desobsessão, você tem que ser bem claro com o espírito, bem claro. Não pode deixar nada duplo. Bem claro com ele. Na hipnose é a mesma coisa: tem que ser bem claro. Se deixar duplo, dá fantasia. Tem que ser bem claro.

Voltando a repetir, isso é muito importante. Há situações de circuito aberto e de circuito fechado, e isso ajuda a entender o contato mente com mente, o contato com o obsessor. O que importa aqui é compreender que há passagem, bloqueio, direção e funcionamento no intercâmbio. No contato mediúnico, a gente precisa se cuidar bem, porque esse contato não é uma coisa solta. Ele obedece a condições. No contato mente com mente, no contato com o obsessor, a gente tem que se cuidar e tem que saber fechar.

Essas comparações ajudam a entender que o trabalho mediúnico não é uma coisa arbitrária. Há leis, há direção, há equilíbrio e há condição de funcionamento. E isso vale também para nós. Cada um tem o seu caminho, tem o seu destino. Quando a gente sai da nossa órbita, sofre.

Na vida universal, também há circulação, captação, transformação e aproveitamento da energia. Então, quando a gente observa esses processos, vai entendendo melhor que a vida espiritual e a vida material não estão entregues a um caos. Há organização, há níveis de funcionamento, há processo.

E, no plano espiritual, há um acréscimo de potencialidade, porque ali as frequências são maiores. A luz é diferente da nossa. À medida que o espírito vai aprendendo mais, vai desenvolvendo mais a parte cognitiva e a parte emocional positiva, ele sobe em frequência. E, aumentando a frequência, aumenta a capacidade, aumenta o poder, aumenta a condição de trabalho. Então, no fim das contas, conhecimento, disciplina mental, clareza de pensamento e elevação íntima fazem parte de um mesmo processo.

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Jaider Rodrigues de Paulo
Médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas, Belo Horizonte — MG, com especialização em Psiquiatria, Homeopatia e Administração Hospitalar. Sócio-Fundador da AMEMG, da qual foi presidente por 21 anos e é o presidente de honra. Foi Médico Assistente e Diretor Médico do Hospital Espírita André Luiz por muitos anos. Psiquiatra e psicoterapeuta do Instituto de Assistência Psíquica Renascimento, em Belo Horizonte — MG. Casado, pai de 6 filhos e avô de 6 netos. Expositor Espírita, com participação em palestras, seminários e congressos nacionais e internacionais. Autor do livro: Saúde Mental – Relatos do dia a dia de um psiquiatra Espirita. Co-autor dos livros: Porque adoecemos, O homem sadio, Desafios em saúde mental, Hospital Espírita André Luiz — um lar de Jesus, Saúde e Espiritismo e Depressão, uma visão médico-espirita (ame brasil).

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